| Talvez Um lindo cavalo
branco de um camponês fugiu. Os seus vizinhos juntaram-se
a ele e lamentaram o sucedido. «Tiveste má sorte!»,
disseram-lhe. «Talvez,» respondeu-lhes ele.
Acontece que, no dia seguinte, o cavalo estava de volta,
trazendo com ele seis cavalos selvagens. Os vizinhos
exclamaram «Afinal tiveste foi muita sorte!» «Talvez,»
respondeu-lhes ele de novo.
Passados alguns dias, quando tentava montar um desses
cavalos selvagens, o seu filho caiu e partiu uma perna. E
mais uma vez os seus vizinhos comentaram a sua má sorte.
E ele, mais uma vez, respondeu-lhes apenas com um talvez.
E, de facto, alguns dias depois, apareceu na aldeia um
grupo oficiais que vinha recrutar jovens para o exército
e, por causa da perna partida, o filho do camponês foi
rejeitado. Quando os vizinhos lhe vieram dizer como
afinal tudo tinha acabado por correr de um modo tão
afortunado para ele, ele respondeu-lhes do mesmo modo: «Talvez.»
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| O escorpião Um escorpião
caminhava em silêncio por um estradão de terra. Andou
quilómetros, sem encontrar qualquer obstáculo no seu
caminho, até que chegou a uma ponte de pedra já gasta
pelo tempo. Ao chegar a meio da ponte, viu que a parte
central tinha caído e que não conseguia passar para o
outro lado.
Ficou pacientemente à espera na margem do rio até que,
passado muito tempo, apareceu uma rã que nadava rio
abaixo. O escorpião dirigiu-se a ela e disse-lhe, «Rã,
a ponte caiu e eu não consigo nadar. Não me levas para
o outro lado às tuas costas?» A rã lançou-lhe um ar
hostil e disse «Se eu te levasse se às minhas costas,
certamente me picarias e eu morreria!» O escorpião
respondeu-lhe enfaticamente «Não faria uma coisa dessas.
Não vês que, se o fizesse, me afogava também contigo?»
Como isso fazia todo o sentido, a rã, embora
relutantemente, lá acedeu a transportar o escorpião.
Nadou até à margem e deixou que o escorpião subisse
para as suas costas. E a rã lá começou a nadar para a
outra margem, agora finalmente mais descontraída. Mas,
de repente, sentiu uma dor aguda nas costas! Abriu muito
os olhos e virou a cabeça para olhar incredulamente o
escorpião. «És louco!» gritou-lhe, «Não sabes que
assim vamos ambos morrer? Porque fizeste tamanha parvoíce?»
O escorpião respondeu, «Porque é essa a minha natureza».
«Moral da história»: As coisas são
o que são. E nunca devemos esperar que sejam diferentes
daquilo que são.
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