Certos filósofos chineses escrevendo no século IV e V explicaram ideias e um modo de viver que ficou conhecido por Taoismo - o modo de o homem cooperar com o curso natural das coisas

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Duas parábolas taoistas
 
Talvez

Um lindo cavalo branco de um camponês fugiu. Os seus vizinhos juntaram-se a ele e lamentaram o sucedido. «Tiveste má sorte!», disseram-lhe. «Talvez,» respondeu-lhes ele.
Acontece que, no dia seguinte, o cavalo estava de volta, trazendo com ele seis cavalos selvagens. Os vizinhos exclamaram «Afinal tiveste foi muita sorte!» «Talvez,» respondeu-lhes ele de novo.
Passados alguns dias, quando tentava montar um desses cavalos selvagens, o seu filho caiu e partiu uma perna. E mais uma vez os seus vizinhos comentaram a sua má sorte. E ele, mais uma vez, respondeu-lhes apenas com um talvez.
E, de facto, alguns dias depois, apareceu na aldeia um grupo oficiais que vinha recrutar jovens para o exército e, por causa da perna partida, o filho do camponês foi rejeitado. Quando os vizinhos lhe vieram dizer como afinal tudo tinha acabado por correr de um modo tão afortunado para ele, ele respondeu-lhes do mesmo modo: «Talvez.»

 
O escorpião

Um escorpião caminhava em silêncio por um estradão de terra. Andou quilómetros, sem encontrar qualquer obstáculo no seu caminho, até que chegou a uma ponte de pedra já gasta pelo tempo. Ao chegar a meio da ponte, viu que a parte central tinha caído e que não conseguia passar para o outro lado.
Ficou pacientemente à espera na margem do rio até que, passado muito tempo, apareceu uma rã que nadava rio abaixo. O escorpião dirigiu-se a ela e disse-lhe, «Rã, a ponte caiu e eu não consigo nadar. Não me levas para o outro lado às tuas costas?» A rã lançou-lhe um ar hostil e disse «Se eu te levasse se às minhas costas, certamente me picarias e eu morreria!» O escorpião respondeu-lhe enfaticamente «Não faria uma coisa dessas. Não vês que, se o fizesse, me afogava também contigo?»
Como isso fazia todo o sentido, a rã, embora relutantemente, lá acedeu a transportar o escorpião. Nadou até à margem e deixou que o escorpião subisse para as suas costas. E a rã lá começou a nadar para a outra margem, agora finalmente mais descontraída. Mas, de repente, sentiu uma dor aguda nas costas! Abriu muito os olhos e virou a cabeça para olhar incredulamente o escorpião. «És louco!» gritou-lhe, «Não sabes que assim vamos ambos morrer? Porque fizeste tamanha parvoíce?» O escorpião respondeu, «Porque é essa a minha natureza».

«Moral da história»: As coisas são o que são. E nunca devemos esperar que sejam diferentes daquilo que são.

 

 

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