PRECIPITAÇÃO
As gotículas de água que se formam por condensação crescem porque há núcleos de condensação que são higroscópicos (atraem água). (A simples saturação do ar não garantiria o seu crescimento. Só se o ambiente estiver supersaturado (humidade relativa maior do que 100%) - o que é raro acontecer - as gotículas crescem. Mas, mesmo assim, só ao fim de 20 a 120 minutos os processos de condensação e deposição podem gerar uma gotícula de nuvem (de 1 a 30 mícron de diâmetro). E ter-se-ia de esperar quase eternamente para que estes processos gerassem uma partícula de precipitação suficientemente pesada para cair (de 0,2 a 5 mm de diâmetro). São o efeito combinado da colisão e fusão de gotículas e do processo de crescimento de cristais de gelo que asseguram o crescimento das partículas de precipitação a partir das gotículas.
 
processo de crescimento de cristais de gelo

A maioria da precipitação tem origem em nuvens cumuliformes onde a temperatura está abaixo de 0ºC. Mesmo a essas temperaturas, existem pequenas gotículas de água (dita superarrefecida). Isto deve-se ao facto de as moléculas de vapor de água precisarem de superfícies sobre as quais condensar (ou gelar) e haver poucos núcleos de congelação numa nuvem típica. As gotículas de água superarrefecida andam «à procura» de algo sobre que gelar. (Só se a temperatura descer até pelo menos uns -40º C se poderá dar a chamada nucleação expontânea e elas gelarão sem a presença de núcleos de congelação.)

 
Os cristais de gelo numa nuvem fria vão crescendo muito rapidamente à custa das gotículas superarrefecidas. É um processo muito eficiente porque há muitas mais gotículas superarrefecidas do que cristais numa nuvem típica e, por isso, há muitas gotículas para «alimentar» cada cristal.

À medida que crescem, os cristais vão ficando mais pesados e, quando o seu peso já não pode ser suportado pelo movimento da coluna ascendente de ar, caiem em direcção ao solo. Se ao caírem atravessarem zonas em que a temperatura do ar esteja acima de 0ºC, transformar-se-ão em gotas de chuva que irão crescendo, por colisão e a fusão.
 
 
tipos de precipitação
O tipo de precipitação que chega ao solo (chuva, granizo, chuva gelada, neve, etc.) depende do tipo de processos dentro da nuvem mas também da temperatura do ar entre a base da nuvem e o solo. Pequenas variações de temperatura (décimos de grau) podem implicar a diferença entre chuva, chuva gelada, saraiva ou neve.
Se, no seu caminho para o solo, os cristais de gelo encontrarem sempre temperaturas negativas até à superfície, a precipitação no solo será geralmente sob a forma de neve. Os flocos de neve são compostos por cristais de gelo parcialmente derretidos (ao entrarem em contacto com ar mais quente) e colados uns aos outros
Se, no seu caminho para o solo, as temperaturas ficarem positivas, os flocos de neve derretem e transformam-se em gotas de chuva.
Se as temperaturas continuarem positivas até à superfície e o ar estiver suficientemente húmido, a precipitação no solo será chuva. Se entre a base da nuvem e a superfície o ar estiver pouco húmido, as gotas de chuva podem-se evaporar antes de chegar ao solo, formando aquilo a que se chama uma virga, que é um véu de chuva por baixo de uma nuvem que não chega ao solo. No entanto, nem sempre a chuva tem origem em cristais de gelo; a chuva pode desenvolver-se a partir de gotículas de nuvem que crescem e se tornam demasiado pesadas para permanecerem na nuvem e caiem.
Se, numa camada de ar perto da superfície, a temperatura estiver abaixo de 0ºC, a gota congelará outra vez, formando chuva gelada, na qual, desde que a camada de ar frio não seja demasiado fina, estarão misturados alguns flocos de neve ou gotas de chuva parcialmente congeladas que saltam ao baterem no solo ou noutros objectos - a chamada saraiva.
À medida que os cristais de gelo caiem através de uma nuvem contendo gotículas de água superarrefecida, estas podem congelar em cima deles por um processo de acumulação (acreção). As partículas que resultam desse processo podem eventualmente chegar ao solo se as temperaturas forem muito baixas (graupel) mas, nas trovoadas mais intensas, acabam por ser transportadas para o topo dos cumulonimbos pelas fortes correntes ascendentes, caindo depois de novo, em direcção ao solo. Ao caírem, crescem de novo por acumulação até chegarem à base da nuvem e algumas voltam então a ser transportadas para o topo pelas correntes ascendentes de ar. Este ciclo pode-se repetir várias vezes e os grânulos resultantes vão crescendo camada a camada. Quanto mais fortes forem as correntes ascendentes, mais vezes este ciclo se repetirá para cada grânulo e mais ele crescerá. Quando um grânulo se torna demasiado pesado, cai da nuvem e acelera sob a acção da gravidade em direcção à superfície. Mesmo que a temperatura do ar esteja relativamente elevada, os grânulos não se chegam a derreter porque o tempo curto em que atravessam o ar quente debaixo da trovoada não é suficiente para poderem derreter antes de cair no solo. Por isso, o que acaba por cair na superfície são grânulos de gelo, no estado amorfo, que se precipitam com violência no solo - o chamado granizo.
Se as temperaturas de uma nuvem até ao solo forem todas negativas (abaixo de 0ºC), cairá geralmente neve. No entanto, se as temperaturas no interior das nuvens estiverem a cima de -10ºC (o que se pode dever eventualmente ao crescimento da temperatura por cima da nuvem por chegada de uma massa de ar quente), a nuvem geralmente não terá cristais de gelo e cairá chuva gelada resultante do processo de crescimento de gotas superarrefecidas por colisão e fusão (coalescência) - o chamado processo de superarrefecimento de chuva quente. (Quando existem cristais de gelo, as partículas de precipitação crescem pelo processo de crescimento de cristais de gelo, produzindo neve e não chuva gelada).
 
Geada
A Geada é uma camada, fina e opaca, composta por cristais de gelo formados por sublimação, quando o vapor d'água entra em contacto com uma superfície muito fria.
NOTA:

Por vezes, ouve-se dizer que chove porque o ar arrefece e o ar frio «não consegue carregar» tanto vapor de água como o ar quente.

O que é verdade é que "o ar quente contem mais vapor de água na saturação do que o ar frio". Se ar húmido (ou seja, ar que contem muito vapor de água) arrefecer e a sua temperatura descer abaixo do chamado «ponto de orvalho» (que corresponde à situação em que o vapor que já contém corresponde ao máximo que pode existir a essa temperatura e pressão), a humidade (o vapor) tem que ser removida por condensação ou sublimação e podem começar a formar-se nuvens. Chove quando o peso das moléculas agregadas por ligações químicas (na fase líquida ou sólida) é suficiente para vencer a sua energia cinética e as faz precipitarem-se para o solo.